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Filosofia


 

Oferecido pelo Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) em período integral, o curso tem duas modalidades: o bacharelado – que visa à pesquisa e ao ensino superior – e a licenciatura – que prepara o profissional para atuar também no ensino médio. Para ambas as modalidades, depois de cumprir, nos dois primeiros anos, os créditos em uma série de disciplinas básicas obrigatórias, como introdução à filosofia, ética, teoria do conhecimento, redação filosófica e história da filosofia (antiga, medieval, moderna e contemporânea), o estudante pode compor o restante do curso de acordo com sua área de interesse. Entre essas áreas estão a História da Filosofia (antiga, medieval, moderna e contemporânea), Ética, Lógica, Epistemologia e Filosofia da Ciência, Filosofia Política e Filosofia da Linguagem. 

Para a licenciatura, há a necessidade da formação pedagógica. Para tanto, devem ser cursadas disciplinas mais especificamente voltadas à habilitação ao ensino de filosofia, aí incluídas disciplinas de Estágio Supervisionado em Filosofia, conforme as novas da LDB e do Conselho Nacional de Educação. Do currículo do curso de Filosofia constam ainda, tanto para o bacharelado quanto para a licenciatura, as línguas clássicas. A inclusão do grego e do latim como disciplinas obrigatórias na grade curricular é uma característica do curso da Unicamp que o diferencia dos oferecidos no país e tem por objetivo fornecer um instrumento para o estudo da história da filosofia, principalmente a antiga e a medieval. 

Logo no ato da matrícula, o ingressante terá que optar entre o grego e o latim e cursar a disciplina por, no mínimo, quatro semestres. Embora disciplinas de línguas modernas não façam parte da grade curricular, espera-se que o aluno estude inglês, francês ou alemão para poder dedicar-se aos textos de autores clássicos e contemporâneos de filosofia no idioma original. Havendo disponibilidade de vagas, o estudante poderá aprimorar esses idiomas na própria Unicamp, em cursos ministrados no Centro de Ensino de Línguas (CEL).

 

Novos horizontes

A profissão passa hoje por uma revalorização no mercado de trabalho. As habilidades específicas adquiridas no decorrer do curso, como a capacidade de trabalhar com conceitos abstratos e textos complexos, têm permitido a participação crescente do profissional em diferentes campos de atividades, destacando-se o jornalismo cultural e político, a editoração e a administração pública. 

Entretanto, o interesse de grande parte dos estudantes do curso de Filosofia ainda se volta para a pesquisa. Atento ao fato, o Departamento de Filosofia do IFCH sempre incentivou os estudantes a elaborar, ainda durante a graduação, monografias sobre temas de sua preferência para o apuro da capacidade de análise, de reflexão e crítica, características que serão cobradas mais tarde, caso prossigam com seus estudos em nível de pós-graduação. 

 

A questão da elaboração da monografia como primeiro passo para o mestrado vem se mostrando tão importante para os alunos que o Departamento de Filosofia decidiu reestruturar a grade curricular do curso para sistematizar a elaboração desse tipo de trabalho. Assim, o estudante interessado em conhecer melhor a metodologia da pesquisa científica será incentivado a cursar previamente as disciplinas de Estudo Dirigido – em que deverá cumprir um roteiro de leituras preparatórias sob orientação de um professor, antes de começar a elaborar a monografia propriamente dita. A monografia, avaliada por três professores, funcionará como elo entre a graduação e o mestrado.

Caso tenha interesse em visualizar a estrutura curricular do atual catálogo do curso ou de anos anteriores

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Para quem tem interesse em visualizar todo o Projeto Pedagógico do Curso

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O curso de graduação em Filosofia da Unicamp pauta-se pelo seguinte princípio: julga-se que a boa formação do graduado em Filosofia não se vincula estritamente a uma lista de conteúdos determinados, mas sim a certas capacidades discursivas obtidas na análise argumentativa de textos clássicos da História da Filosofia. Isto quer dizer que, o curso apresenta grande flexibilidade em conteúdos, a começar pela sua grade curricular e pela cadeia bastante simplificada de pré-requisitos. Um aluno que tenha se graduado em Filosofia pela Unicamp entre os anos 1997-2000 terá provavelmente estudado conteúdos diferentes dos que foram estudados por um aluno que tenha integralizado o curso entre os anos 2000-2003. 

Não obstante, apesar dessa flexibilidade de conteúdos, há dois princípios que garantem um perfil coeso ao projeto de nossa graduação. Admitimos que a Filosofia é uma disciplina cujo conceito é flexível, caracterizável de diversos modos, não incompatíveis entre si; admitimos que ela comporta uma imensa maleabilidade de conteúdos, de sub-divisões internas; admitimos que ela não se esgota em uma única escola ou tradição, mas que sua riqueza envolve sua manifestação em escolas e tradições diferenciadas. 

Contudo, entende-se que a Filosofia caracteriza-se por dois traços fundamentais: primeiro, ela reporta-se à tradição dos Grandes Pensadores Ocidentais, que usamos denominar de clássicos da História da Filosofia; em segundo lugar, ela se constitui como discurso crítico pautado pela coerência lógica, isto é, pela clareza conceitual e pela consistência argumentativa.

 

Esses dois traços fundamentais da Filosofia impõem duas consequências. De um lado, embora não se determine conteúdos rigidamente fixos no currículo do curso, entende-se que este último deve se estruturar em torno da leitura e exegese dos textos clássicos da História da Filosofia (incluindo textos de nossa época que já podem ser considerados clássicos). Não importa, precisamente, qual texto deverá ser lido – embora, de fato, existam algumas preferências bastante claras na seleção das obras clássicas que têm sido lidas desde a criação do curso, em 1988. O que importa é que, de todo modo, um texto clássico deverá ser lido, e a leitura desse texto, acompanhada por sua exegese criteriosa, apoiada por uma bibliografia secundária pertinente, constituirá o núcleo de cada disciplina do currículo.

De outro lado, essa atividade de leitura, longe de se restringir a selecionar os teoremas de um dado texto, procura captá-los no andamento lógico que os justifica e os enquadra no texto em questão. Assim sendo, a leitura dos textos clássicos se pauta pela análise argumentativa rigorosa, orientada por critérios objetivos de coerência lógica. A principal preocupação pedagógica não consiste em instilar nos alunos o domínio dos “teoremas” ou “filosofemas” de cada texto (embora tal preocupação também se faça presente). 

O curso preocupa-se, primeiramente, em incutir nos alunos a capacidade de perceber, e avaliar criticamente, o andamento argumentativo pelo qual cada texto clássico propõe seus problemas e articula suas soluções. Deve-se destacar, a esse respeito, a nossa preocupação com a recepção dos alunos ingressantes, que revelam muita dificuldade, no primeiro ano do curso, com a leitura, a interpretação e a escrita de textos. 

A fim de evitar a evasão – muitas vezes provocada pela enorme dificuldade em ler e interpretar os textos de fonte e em confeccionar dissertações - o primeiro ano do curso conta com duas disciplinas de Redação Filosófica (HG107 e HG207), que têm por objetivos: 1) o exercício de interpretação dos textos segundo métodos de análise conceitual e argumentativa;

2) o exercício de confecção de textos interpretativos, conforme as normas técnicas pertinentes e critérios de clareza e consistência lógica da interpretação;

3) o exercício de habilidades discursivas (de exposição e discussão) ligadas à interpretação e transmissão da filosofia. Tais disciplinas contam ainda com horários extra-classe reservados para monitoria (que costuma ser ministrada pelos nossos melhores alunos de pós-graduação sob a supervisão do professor responsável), onde os alunos podem tirar dúvidas e acompanhar oficinas de redação. O resultado tem sido excelente, demonstrando que um tratamento mais personalizado do aluno (principalmente do ingressante) contribui muito para a sua formação e diminui a evasão.

 

O projeto do curso assenta-se, assim, na premissa de que, em filosofia, as fronteiras entre aprendizado e pesquisa são mais tênues do que nas áreas técnicas. As questões que o aluno deve se propor, perante o texto a ser compreendido e interpretado, não são radicalmente diversas no aprendizado e na pesquisa. É claro que há uma diferença entre as primeiras dúvidas que surgem no aluno principiante e as dúvidas que surgem no aluno já apto a propor um plano de pesquisa: estas últimas são dúvidas já precisamente formuladas, com pertinência teórica, assentadas numa razoável compreensão preliminar do assunto. 

Não obstante, as questões que o aluno deve dirigir ao texto, no primeiro aprendizado e na pesquisa, não são heterogeneamente diversas. Em ambos os casos, trata-se de buscar saber o que o texto em questão está dizendo, e isto envolve a formulação de outras questões, mais precisas: Quais são as questões filosóficas para as quais o texto busca respostas? Qual é o sentido dos termos que aparecem no texto? Quais são as premissas pelas quais o autor do texto justifica suas pretensões? Qual é a estrutura lógica dos argumentos pelos quais ele desenvolve suas pretensões? 

É a formulação dessas questões que permite distinguir entre, de um lado, a abordagem de um leitor qualquer e, de outro, a leitura que se espera de um graduando em filosofia. Ainda que um aluno se gradue em Filosofia sem encontrar respostas razoavelmente satisfatórias e pertinentes para essas questões, ele se distingue exatamente pela capacidade de formulá-las e pela capacidade de procurar sistematicamente respostas consistentes para as mesmas.

 

Esta capacidade de se posicionar criticamente diante de um texto clássico une as duas modalidades do curso de graduação em Filosofia. Isso se dá justamente porque há uma tarefa básica pela qual podemos definir qualquer graduado em Filosofia: ele deve se responsabilizar por (e ser capaz de) transmitir, de maneira crítica, o patrimônio cultural que reconhecemos sob o nome de Filosofia, incluindo as particularidades de sua História. De um lado, o Bacharel atuará na transmissão desse repertório através da docência em nível superior ou diversas outras formas de atuação (como consultor de órgãos governamentais, no jornalismo político e cultural, etc.). De outro lado, o Licenciado atuará na transmissão desse repertório especificamente no Ensino Médio.

As tarefas pelas quais se define um graduando em Filosofia, em qualquer modalidade de curso, delimitam-se por uma série de capacidades e competências comuns – as quais fornecem os parâmetros para definir, justamente, o Núcleo Comum ao Bacharelado e à Licenciatura. Por outro lado, a responsabilidade de transmitir no Ensino Médio o patrimônio cultural a que chamamos de Filosofia envolve algumas habilidades mais específicas, inclusive algumas relacionadas à integração da Filosofia com os demais componentes curriculares e com as várias dimensões que constituem a formação do aluno no Ensino Médio. 

Neste contexto, trata-se de introduzir os alunos no universo da Filosofia, buscando familiarizá-los: (i) com os objetivos e características mais básicas das disciplinas filosóficas; (ii) com o tipo de texto específico produzido pelos Filósofos; (iii) com o tipo de coesão argumentativa que caracteriza o discurso filosófico. O Licenciado se habilitará a essas tarefas precipuamente (embora não exclusivamente) através de um contato direto com os textos clássicos da História da Filosofia. Nesta perspectiva, a formação do Licenciado deverá envolver o mesmo procedimento básico pelo qual se forma o Bacharel: a leitura paciente e a exegese crítica de textos clássicos da História da Filosofia (acompanhada da leitura de bibliografia de apoio pertinente). No entanto, o Licenciado deverá também conceber modos pelos quais uma interpretação plausível do texto clássico pode ser transmitida, de modo viável, a alunos do Ensino Médio.

 

Sendo assim, entendemos que a habilitação do Licenciado em Filosofia envolve duas faces, articuladas intrinsecamente entre si. De um lado, pautando sua formação pela leitura dos textos clássicos, ele deve perguntar o que o texto em questão está dizendo, isto é, o que o autor em questão está propondo (e todas as demais questões correlatas: qual é o sentido dos termos; quais são as premissas pelas quais ele justifica suas pretensões; qual é a estrutura lógica dos argumentos, etc.). De outro lado, o Licenciado deve também perguntar, mais especificamente – supondo que as perguntas acima já tenham sido respondidas de modo minimamente satisfatório, de que modo ele pode construir, a partir de sua compreensão de textos clássicos, planos de curso e planos de aula para alunos do Ensino Médio. Ao invés de se perguntar somente quais são os artigos especializados que poderiam aprimorar sua própria compreensão de cada problema, suscitado a partir da interpretação de um certo texto clássico, ele deve perguntar também quais são os textos a que ele deveria submeter o aluno de Ensino Médio, no horizonte desse mesmo problema. 

O Licenciado deverá também ter em vista o contexto específico em que se responsabilizará por ensinar Filosofia: o ambiente escolar. Assim, ele deverá ser capaz de encontrar meios pelos quais o ensino de Filosofia possa ser integrado de modo coerente com os demais componentes curriculares e com as várias atividades pedagógicas da escola em que atua.

 

As disciplinas Estágio Supervisionado I e II, desde 2007 sob a responsabilidade da coordenação de graduação do curso de filosofia, têm acompanhado de perto o resultado dos estágios realizados pelos alunos e organizado seminários onde os alunos compartilham as suas experiências e, juntos, estudam programas de curso exequíveis no Ensino Médio. A supervisão do estágio concentra-se nos seguintes itens: 1) o programa de curso apresentado e aplicado pelo professor; 2) as estratégias adotadas em sala de aula para tornar o programa factível; 3) as dificuldades encontradas pelo professor para implementar o programa proposto. No final do segundo estágio espera-se que o aluno tenha elaborado um programa de curso, prevendo as estratégias pedagógicas e a bibliografia a serem adotadas.

 

Estamos certos de que as perguntas que orientam a boa formação de um Licenciado em Filosofia não são qualitativamente diferentes das perguntas que estruturam a boa formação do Bacharel. Este último também deverá sempre se perguntar por planos de curso e planos de aula (se fizer carreira no Ensino Superior) ou por perspectivas e estratégias argumentativas a serem adotadas na transmissão de determinadas pretensões ou na análise rigorosa de um problema a ser resolvido (se fizer carreira em outras áreas de atuação, como consultoria, etc.). Enfim, do graduado em Filosofia, seja ele Licenciado ou Bacharel, não se espera a capacidade de meramente mencionar, como num almanaque, os diversos teoremas que caracterizam as respectivas doutrinas dos filósofos; espera-se dele a capacidade de se pronunciar criticamente não apenas na transmissão do patrimônio cultural conhecido como História da Filosofia, mas também diante dos problemas pelos quais a Filosofia encontra sua inserção e justificativa em nossa experiência, seja no plano existencial de cada indivíduo, seja no plano histórico-político.

Sigla Disciplina Docente Horário Nome da disciplina
HG107 a Rafael Rodrigues Garcia
3ª Feira 14h às 18h
HG108 a Fátima Évora
5ª Feira 14h às 18h
HG212 a Rafael Rodrigues Garcia
5ª Feira 19h às 21h
HG301 a Lucas Angioni
2ª Feira 14h às 18h
HG302 a Márcio Augusto Damin Custódio
5ª Feira 8h às 12h
HG303 a Monique Hulshof
4ª Feira 8h às 12h
HG304 a Daniel Omar Perez
3ª Feira 8h às 12h
HG806 a Marco Antonio Caron Ruffino
6ª Feira 8h às 12h
HG861 a Jéssica Rodrigues
às
HG862 a Jéssica Rodrigues
às
HG673 a Rafael Rodrigues Garcia
2ª Feira 14h às 18h
HG712 a Gabriel Riguetti (pós doc)
2ª Feira 19h às 23h
HG711 a Silvio Seno Chibeni
3ª Feira 14h às 18h
HG561 a Jéssica Rodrigues
3ª Feira 19h às 23h
HG561 b " Filosofia Intercultural I" Maria Fernanda Novo (pós-Doc)
6ª Feira 14:00 às 18:00
HG751 a Enéias Júnior Forlin
5ª Feira 14h às 18h
HG651 a Taisa Palhares
às
HG682 Marcelo Esteban Coniglio
4ª Feira 14:00 às 16:00
HG683 Rafael Rodrigues Garcia
5ª Feira 14:00 às 16:00
HG683 Yara Adario Frateschi
5ª Feira 10:00 às 12:00
HG684 Fátima Regina Rodrigues Évora
5ª Feira 10:00 às 12:00

Marcelo Esteban Coniglio
Marco Antonio Caron Ruffino
Oswaldo Giacóia Júnior
Rafael Rodrigues Garcia
Silvio Seno Chibeni
Taisa Helena Pascale Palhares
Walter Alexandre Carnielli