
Apresentação do Programa - Filosofia
O Programa de Pós-graduação em Filosofia da Universidade Estadual de Campinas tem como princípio norteador, desde a sua criação em 1977, a ideia de aliar a especialização nas áreas canônicas da História da Filosofia com linhas de pesquisa inter- e mesmo transdisciplinares. Esse perfil acadêmico é o que permite, a nosso ver, tanto uma produção diversificada e de qualidade, como atrair bons candidatos das mais diversas áreas e interesses. Como resultante de seu desenvolvimento, o Programa tem atualmente as seguintes quatro linhas de pesquisa: I) História da Filosofia, diferenciada em suas quatro épocas canônicas (Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea), II) Lógica, III) Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência e da Linguagem, e IV) Pensamento Ético Político.
Com esse perfil, além da espinha dorsal da História da Filosofia, o programa abrange diferentes campos da Lógica moderna em muitas de suas implicações com novas disciplinas científicas; inclui a abordagem de temas clássicos de teoria do conhecimento, a reflexão filosófica, metodológica e histórica sobre as diferentes ciências (especialmente, Física, Matemática, Psicanálise e Ciências Sociais) e a Filosofia da Linguagem; no campo do pensamento ético-político, a ênfase é dada a problemas de Filosofia Prática, oriundos das linhas já mencionadas ou da pesquisa em torno do legado do marxismo, da crítica da economia política e mesmo do horizonte mais amplo do pensamento dialético.
Essa progressiva diferenciação das Linhas de Pesquisa, além de refletir a forte ramificação das especialidades, é fruto, principalmente, das diferentes etapas históricas de um Programa de Pós-Graduação que começou sem um correspondente Curso de Graduação em Filosofia (que só seria criado doze anos depois), que abrigava especialidades marcadas - Lógica e Filosofia da Ciência, para as quais, inicialmente, a História da Filosofia funcionava como elemento complementar -, e que, posteriormente, criou a área de concentração em Filosofia Política e desdobrou-se nas disciplinas clássicas da Filosofia e de sua História.
Foi esse específico desenvolvimento que levou o Programa a sucessivos remodelamentos nos últimos anos, buscando cada vez otimizar os recursos disponíveis e fazer confluir Linhas e Projetos de Pesquisa. Após vinte anos de existência (1977-1997), em que se buscou estimular ao máximo a diversificação e a aquisição de competências em especialidades estratégicas, tratou-se, nos últimos anos, de racionalizar a utilização dos recursos disponíveis. Essa evolução e sua correspondente tendência para os próximos anos iniciaram-se em 1999, com a fusão dos antigos dois Programas de "Lógica e Filosofia da Ciência" e de "Filosofia" em um único, com apenas uma área de concentração: Filosofia.
Uma importante característica dos cursos de Mestrado e Doutorado em Filosofia da Unicamp é a flexibilidade de sua estrutura curricular, que visa a compatibilizar a liberdade de investigação docente, institucionalizada em suas variadas Linhas de Pesquisa, com as exigências mínimas de uma formação básica dos alunos por meio do estudo de temas e autores clássicos, tendo por objetivo permitir a concentração do trabalho discente na redação da dissertação ou tese. Tendo em vista a natureza da atividade filosófica, que não se presta a definições rígidas de tema nem se exprime em um conjunto predeterminado de disciplinas ou enunciados fundamentais, o Programa de Pós-Graduação em Filosofia tem uma estrutura extremamente simples e aberta, definida principalmente a partir dos Projetos de Pesquisa dos professores orientadores. Não há previsão de disciplinas obrigatórias, vinculadas a determinadas Linhas de Pesquisa, salvo a prerrogativa atribuída ao orientador, de indicar disciplinas ou sequências de disciplinas a serem cumpridas pelo orientando para sua formação adequada.
O Programa abrange atualmente, as seguintes linhas de pesquisa: I) História da Filosofia, diferenciada em suas quatro épocas canônicas (Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea), II) Lógica, III) Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência e da Linguagem, e IV) Pensamento Ético Político. Com esse perfil, além da espinha dorsal da História da Filosofia, o programa abrange diferentes campos da Lógica moderna em muitas de suas implicações com novas disciplinas científicas; inclui a abordagem de temas clássicos de teoria do conhecimento, a reflexão filosófica, metodológica e histórica sobre as diferentes ciências e a Filosofia da Linguagem; no campo do pensamento ético-político, a ênfase é dada a problemas de Filosofia Prática, oriundos das linhas já mencionadas ou das pesquisas em torno da moderna Filosofia Política, da Filosofia Transcendental, do legado do marxismo, da crítica da economia política e do pensamento dialético.
A estrutura curricular do programa é adequada às quatro linhas de pesquisa do programa. Anualmente são oferecidas cerca de 40 disciplinas, incluindo duas disciplinas de Estágio Docente, uma de Dissertação de Mestrado, uma Tese de Doutorado e os Seminários de Orientação, que são disciplinas nas quais os discentes do programa de pós-graduação em Filosofia expõem resultados parciais de sua pesquisa para crítica e discussão, perante não apenas o orientador, mas também outros alunos e até mesmo outros professores do programa.
Os objetivos dos Seminários de Orientação consistem em: (i) contribuir para o aperfeiçoamento do trabalho de pesquisa discente, (ii) fomentar sua capacidade de discussão especializada e pública de argumentos e interpretações. A configuração dessas disciplinas é flexível e adapta-se, em cada oferecimento, às circunstâncias da pesquisa e às preferências do professor-orientador. Assim, o trabalho discente pode ser completamente concentrado na discussão de partes (preliminares ou não) da dissertação e/ou tese, ou pode, a critério do orientador, envolver aprofundamento de assuntos mais específicos que são de fundamental importância para a formação do pesquisador em filosofia.
Apesar da flexibilidade da nossa estrutura curricular, alguns eixos comuns a caracterizam. Em primeiro lugar, procura-se sedimentar no trabalho discente a capacidade de argumentar articuladamente, tanto no texto escrito como na exposição e discussão oral, de acordo com critérios de correção lógico-formal pertinentes ao discurso acadêmico de Filosofia. Em segundo lugar, procura-se instilar no trabalho discente a objetividade no discernimento e na formulação de problemas e resoluções, tendo por horizonte evitar, nas dissertações e/ou teses, falta de coesão ou mesmo digressões em relação ao núcleo temático que nelas se propôs. Em casos mais específicos, procura-se aperfeiçoar o trabalho discente de interpretação das fontes primárias, isto é, de leitura e interpretação dos textos clássicos em língua original, com a discussão de problemas filológicos que têm grande impacto na formulação de argumentos filosóficos.
Quanto a este último objetivo, destacam-se os seminários em História da Filosofia Antiga, Medieval e Moderna. Frequentemente, a espinha dorsal desses seminários constitui-se como leitura e interpretação coletiva (orientador e orientandos) de textos na língua original (grego ou latim), com discussão pormenorizada de problemas filológicos e análise minuciosa do emaranhado argumentativo e conceitual presente em cada texto.